As coordenações políticas para as eleições presidenciais no Brasil

Como a Copa do Mundo já passou e passou, os brasileiros começam a chamar a atenção para as eleições de 2018. A cada quatro anos o povo elege o presidente, os governadores estaduais, uma parte do Senado (dois terços nessa eleição), os deputados federais e os deputados estaduais. Mesmo que as eleições nacionais e regionais estejam relacionadas, e as alianças considerem aspectos de ambos, é a eleição presidencial que vamos focar aqui (e dada a complexidade que uma eleição apresenta em um país com as dimensões do Brasil, não poderia ter sido qualquer diferente).

Nos últimos anos, uma crise política e institucional revogou um presidente sem justificativa para tal medida extrema e fez com que agentes de órgãos governamentais (como a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário) se comportassem em partidarismo, desrespeitando as garantias dos cidadãos e as devidas garantias legais. processo. Outro exemplo de inclinações excepcionais é a prisão do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, o homem que ocupa o primeiro lugar em todas as eleições presidenciais, sem excluir a vitória na primeira rodada de votação. O processo legal que resulta em seu encarceramento tem elementos muito frágeis para justificar uma sentença. Em um segundo processo, governado por outro juiz, Lula e outros réus foram absolvidos. Pelo que parece, Lula não poderá concorrer à presidência. A direita brasileira estará livre de enfrentar um rival ao qual provavelmente perderia.

Na esteira da Operação Lava Jato (a investigação sobre a corrupção que começou na Petrobras e se mudou para outras áreas da administração pública), uma onda de punitivismo deu o tom para o trabalho de muitos juízes e promotores. Estes últimos fizeram um movimento sobre os partidos políticos e as grandes empresas que trabalham com projetos públicos. Em aliança com os grandes meios de comunicação, setores de parte do aparato estatal (a polícia, o Ministério Público e o Judiciário) passaram a deter grande poder, para usá-lo politicamente e causar instabilidade política e enormes perdas econômicas e sociais para o Brasil.

O Brasil tem uma estrutura política multipartidária que, desde 1994, se organizou em torno de dois partidos hegemônicos, um à esquerda e outro à direita, o Partido dos Trabalhadores (“PT”) eo Partido da Social Democracia Brasileira (“PSDB”). ”), Sendo este último o vencedor de duas corridas presidenciais e o primeiro de quatro. A maioria dos outros partidos (as exceções são partidos menores de esquerda), mesmo que sejam de posições conservadoras, estão participando do clientelismo e estão eminentemente interessados ​​em compartilhar espaços no governo, seja na administração direta ou em empresas estatais. O chamado “centrão” (um superlativo para centro, referindo-se ao centro no espectro político e destacando seu tamanho), na verdade constituído de partidos de centro-direita e direita, juntou-se ao esquerdista PT em troca, como indicado acima, participação no governo; também cumpriu o papel de “fosso” entre o Partido dos Trabalhadores e posições mais esquerdistas. Os partidos do centrao anunciaram recentemente o apoio ao candidato do PSDB à presidência, Geraldo Alckmin. O ex-governador do principal estado do Brasil, São Paulo, tem números muito baixos (em torno de 7%) na intenção dos eleitores. Ele nem está em primeiro lugar em São Paulo.

A aposta do PSDB, também a aposta de uma parte importante da elite econômica que o apóia, é que esse partido apóie (no Brasil cada parte tenha direito a certa veiculação na TV e no rádio, conforme tamanho no Congresso Nacional ) impulsionará a candidatura do tucano (o tucan é o pássaro que representa o PSDB). No entanto, Alckmin também foi alcançado pela Operação Car Wash com acusações de financiamento, como aconteceu com seu partido. Houve uma enorme pressão da imagem do PSDB e começou a perder votos para outros candidatos da direita, especialmente Jair Bolsonaro, o candidato mais à direita na corrida presidencial. A plataforma de Alckmin no governo é muito semelhante à do atual presidente, Michel Temer, e propõe dar continuidade às reformas neoliberais. A situação econômica e social piorou visivelmente no Brasil nos últimos dois anos. O governo Temer é o governo mais impopular da história do país. Seguramente, o PT e os outros partidos de esquerda irão explorar em suas campanhas o apoio do PSDB ao Temer e o conteúdo de sua plataforma para suas posições anti-populares e antinacionais. Há, portanto, sérias dúvidas sobre a viabilidade da campanha do PSDB, mesmo com o apoio político obtido recentemente.

O centrão fez um acordo com o PSDB para nomear um vice-presidente, além de garantir o atual presidente da Câmara dos Deputados e, provavelmente, conceder os votos para eleger o próximo presidente do Senado no futuro. Esses cargos foram preenchidos pelo PT e pelo MDB (partido de Temer), principalmente o último, nos 13 anos em que o PT esteve no governo. O “centrão” está propondo um novo pacto político, em fundações conservadoras, e estabelecendo, desde o início, uma forte dependência de um futuro governo de Alckmin, nessa base clientelista. Muitos políticos desses partidos estão sob investigação ou implicados em processos legais. O novo pacto definitivamente envolverá caminhos legislativos e medidas para garantir a impunidade para muitos deles. O “centrão” está agora com Alckmin, mas se adaptará ao próximo presidente em busca de colocações no poder, mesmo que o próximo chefe de governo seja alguém da esquerda. Disse que o esquerdista certamente não terá a maioria no Congresso Nacional e, com os partidos favoritistas da direita, terá que constituir uma parte expressiva do parlamento brasileiro.